A tatuadora Camila Gama, de 41 anos, enfrenta uma situação angustiante desde que decidiu passar por uma cirurgia de lipoescultura em Goiânia.
Nascida e criada na capital de Goiás, ela atualmente reside em Raleigh, nos Estados Unidos, mas retornou ao Brasil especificamente para realizar o procedimento.
No entanto, dias depois, a mulher experimentou complicações graves que resultaram na amputação do seu braço direito.
Relato da cirurgia e complicações

A tatuadora relatou que realizou a cirurgia de lipoescultura em um hospital particular e, cinco dias depois, começou a sentir-se mal. Após ser diagnosticada com anemia, ela teve que tomar um medicamento na veia.
Camila acredita que uma possível falha na aplicação do remédio resultou em uma trombose, que levou à amputação.
Embora tenha afirmado que não pode atribuir a culpa a alguém, Camila descreveu que tudo começou após a administração do medicamento. Segundo ela, o médico responsável, um anestesista que estava de plantão, pegou a veia localizada próxima à artéria e deixou cair resíduos do remédio ali.
Ao G1, um cirurgião cardiovascular explicou que embora seja raro, existe a possibilidade de que um erro na punção, ou o ato de colocar a agulha, cause trombose, independente da medicação.
Além disso, conforme o advogado de Camila, Fabrício Póvoa, a mulher informou que um anticoagulante foi medicado, passado para ela logo após a cirurgia plástica. Segundo ele, Camila também alegou que esse medicamento deveria ter sido prescrito com antecedência de 30 dias.
Investigação em andamento
As autoridades policiais iniciaram uma investigação sobre o caso neste mês. Ao G1, o delegado Wellington Ferreira, encarregado do caso, revelou que Camila foi ouvida e passou por um exame de corpo de delito, mas aguarda o laudo pericial.
O crime denunciado foi a lesão corporal, entretanto, ainda não está claro quem será responsabilizado: o profissional que fez a plástica, o que receitou o medicamento, o que aplicou o remédio ou algum outro envolvido.
Hospital se defende e responsabilidades são discutidas
Em nota, o hospital expressou que se sensibiliza com Camila e afirmou ter prestado os melhores serviços. No comunicado, o hospital também declarou que não houve falhas no atendimento do médico anestesista que fez o acesso à veia de Camila, nem da equipe de enfermagem responsável pela administração do medicamento.
O hospital também afirmou não possuir relação empregatícia com o cirurgião plástico, apontando que isso afasta qualquer responsabilidade objetiva da unidade hospitalar, e que o anestesista faz parte de uma empresa contratada.
Além disso, o hospital declarou estar colaborando com as investigações, ao passo que a conduta do médico será avaliada pelas autoridades competentes.
A defesa do cirurgião plástico se pronunciou, afirmando que não pode fornecer detalhes técnicos devido ao sigilo médico, mas disse que as complicações enfrentadas por Camila não estão relacionadas à cirurgia e que todos os cuidados foram tomados durante o atendimento. O médico se colocou à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
A perda da principal fonte de renda e o apoio da comunidade
Camila expressou o seu sofrimento pela perda da profissão e desabafou a respeito do fato de ter ficado sem a sua fonte de renda. A mulher enfatizou que não perdeu apenas o braço, mas também o seu sonho de nove anos, o seu estúdio de tatuagem, a sua clientela e a sua forma de sustento.
Para ajudar a tatuadora a se reerguer, o seu filho criou uma vaquinha, divulgada no perfil da mulher no Instagram. De acordo com Camila, ela precisa de de uma prótese de braço, que, nos Estados Unidos, tem um custo superior a 100 mil dólares. As informações são do G1.