É sempre assim, surge uma dor de cabeça aqui, uma dor chata no estômago ali, uma dor no corpo acolá e logo corremos para o primeiro analgésico que encontramos pela frente, não é mesmo? Mas saiba que isso pode ser muito perigoso, principalmente, em casos de dengue, e é isso o que veremos neste artigo!
Números assustadores revelam que o Brasil está em meio a uma explosão de dengue, com mais de meio milhão de casos prováveis da doença e mais de 62 mortes confirmadas e tantas outras em investigação.

O fato é que a dengue não escolhe sexo, raça ou idade e liga um alerta em nossos hábitos que precisam, urgentemente, serem revistos: desde não deixar água parada em casa, até o uso de telas nas janelas. Muitos são os cuidados que devemos tomar para nos blindar desse problema, para o qual não há um medicamento específico.
Por falar em medicamento específico, um dos maiores perigos, relacionados à doença, é o uso de remédios incompatíveis, muitas vezes, na esperança de amenizar os sintomas da dengue, que incluem dor de cabeça, dor no corpo, dor atrás dos olhos, febre, enjoos, vômitos e manchas vermelhas, entre outros.
Por isso, atenção: é fundamental só recorrer a remédios indicados por um médico, pois muitos medicamentos que usamos no dia a dia e que são até vendidos sem a necessidade de prescrição médica nas farmácias podem aumentar o risco de sangramento.
Isto é, de dengue hemorrágica, a forma mais grave da doença, quando a infecção começa a destruir plaquetas responsáveis pela coagulação e o paciente começa a apresentar sangramentos na gengiva ou nas fezes.
Quais remédios são contraindicados em caso de dengue?
Como dito anteriormente, é preciso muita atenção e não se deixar levar pelo desespero, no intuito de querer amenizar os sintomas da dengue, pois há alguns medicamentos que podem agravar a doença, são eles:
AAS, aspirina e derivados do ácido acetilsalicílico (diflunisal, salicilato de sódio e metilsalicilato)
Embora esses medicamentos possuam efeito analgésico e antitérmico, que teoricamente ajudariam a aliviar as dores e a febre, eles podem afetar a coagulação de pacientes com o vírus da dengue, aumentando o risco de sangramentos e o agravamento da doença.
Mas, é importante que pacientes em tratamento de algum problema cardíaco, que precisam tomar aspirina periodicamente, se informem com seus médicos, antes de abolir, ou substituir o medicamento.
Ibuprofeno e nimesulida
Alguns anti-inflamatórios, não esteroidais, também aumentam os riscos de sangramento e não devem ser usados no tratamento dos sintomas da dengue.
Entram na lista a indometacina, ibuprofeno, diclofenaco, piroxicam, naproxeno, nimesulida, sulfinpirazona, fenilbutazona e sulindac.
São medicamentos que prejudicam o funcionamento das plaquetas que, na presença da dengue, já foram afetadas pelo vírus. O uso desses remédios aumenta o risco de sangramentos.
Prednisona e hidrocortisona
Na lista proibida também constam os medicamentos como prednisona, prednisolona, dexametasona e hidrocortisona, conhecidos como corticoides que, assim como os citados anteriormente, podem aumentar o risco hemorrágico da doença.
Ivermectina
Tal como aconteceu na época da Covid-19, o uso desse vermífugo foi divulgado como um possível tratamento para a doença, o que é um enorme erro, já que o uso de ivermectina é indicado único e exclusivamente para combater vermes, portanto, não deve ser utilizado para tratar a dengue.
Mas, afinal, o que tomar em caso de dengue?
Primeiramente, ao sentir qualquer um dos sintomas apontados acima, é preciso procurar um médico, que após fazer os devidos exames, indicará o melhor tratamento a seguir conforme o quadro.
Geralmente, os dois medicamentos mais indicados para amenizar os sintomas da dengue são o paracetamol e a dipirona, por não oferecerem riscos de um possível sangramento. Os dois medicamentos, embora não tratem especificamente a dengue, ajudam a aliviar as dores e mal-estar provocados pela dengue.
Porém, segundo os especialistas, as estratégias para evitar o agravamento da doença também incluem procurar manter uma boa hidratação, já que a dengue provoca inflamação e causa a perda de líquido.
Assim, além de beber muita água, é importante ingerir soros, encontrados em farmácias e postos de saúde, para repor os sais perdidos pelo corpo. No mais, fica o alerta: a automedicação é desaconselhada em todas as situações.