Segundo a Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) do Ministério da Saúde, o Brasil possui cerca de duas milhões de pessoas com alguma forma de demência. Em nível mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 55 milhões de pessoas vivem com a doença.
Por ser uma condição muito incapacitante, a possibilidade de ter demência ou ver alguém da família com a doença assusta muitas pessoas. Mas será que é possível identificar os sintomas do problema vários anos antes do diagnóstico?
Bem, segundo um estudo publicado no Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association (Alzheimer & Demência: Jornal da Associação do Alzheimer), seria possível detectar sinais da demência até nove anos antes de um diagnóstico.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados do UK Biobank database, um banco de dados de larga escala, que contém informações detalhadas referentes à saúde e genética de 500 mil pessoas do Reino Unido.
Os estudiosos apontaram a resolução de problemas e o ato de lembrar-se de certos números como dois dos fatores relacionados aos sinais de uma possível demência no futuro.
Os participantes do UK Biobank que vieram a desenvolver a doença de Alzheimer (a forma mais comum de demência) tiveram pontuações piores em aspectos como tarefas que envolviam a resolução de problemas, tempos de reação, lembrar listas de números, correspondência de pares e memória prospectiva (a habilidade de lembrar de fazer algo mais tarde), em comparação às pessoas saudáveis.
Os pesquisadores identificaram ainda que este também foi o caso de pessoas que desenvolveram uma forma mais rara de demência, a demência frontotemporal, que ganhou destaque depois que o ator Bruce Willis foi diagnosticado com a condição.
O que dizem os pesquisadores
O autor sênior do estudo, o Dr. Tim Rittman, da Universidade de Cambridge na Inglaterra, ponderou que as pessoas não devem ficar excessivamente preocupadas caso não sejam boas em lembrar-se de números, por exemplo.
Rittman explicou que algumas das pessoas que estão saudáveis vão naturalmente pontuar melhor ou pior que os seus colegas. No entanto, ele encoraja qualquer pessoa que tenha preocupações ou perceba que a sua memória está piorando a consultar o seu médico.
Segundo outro dos autores do estudo, Nol Swaddiwudhipong, também da Universidade de Cambridge, quando a equipe analisou o histórico dos pacientes, ficou claro que eles estavam apresentando algum comprometimento cognitivo vários anos antes dos seus sintomas se tornarem óbvios o suficiente para motivar um diagnóstico.
Ele disse ainda que esses comprometimentos eram muitas vezes sutis, mas passavam por uma série de aspectos cognitivos. Para Swaddiwudhipong, esse é um passo que pode levar à testagem de pessoas que têm mais risco de desenvolver demência, como aquelas que já passaram dos 50, que têm pressão alta ou não se exercitam o suficiente, e a uma intervenção nos estágios iniciais para ajudar a reduzir esse risco.
Da mesma forma, David Thomas da Alzheimer’s Research UK, entidade do Reino Unido voltada para a pesquisa sobre demência e doença de Alzheimer, afirma que está cada vez mais claro que a melhor chance de afetar o curso das doenças que causam demência reside em intervir nos estágios mais iniciais. Com informações do Independent UK.
Fontes e referências adicionais
- Ministério da Saúde debate Primeiro Relatório Nacional sobre a Demência no dia 21 de setembro, Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), Ministério da Saúde.
- Nações se mostram despreparadas diante do aumento do número de pessoas com demência, Nações Unidas Brasil.
Fontes e referências adicionais
- Ministério da Saúde debate Primeiro Relatório Nacional sobre a Demência no dia 21 de setembro, Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), Ministério da Saúde.
- Nações se mostram despreparadas diante do aumento do número de pessoas com demência, Nações Unidas Brasil.