A gastrite consiste numa inflamação da mucosa que reveste as paredes internas do estômago que pode ser causada por alimentação inadequada, uso excessivo de álcool e tabaco, uso prolongado de anti-inflamatórios, estresse crônico, refluxo de bile e por uma infecção causada pela bactéria Helicobacter pylori, ou qualquer outra causa que afete o funcionamento deste órgão.
Além disso, a gastrite pode ser uma condição autoimune em que o sistema imunológico ataca erroneamente as células que revestem o estômago. A evolução dessa doença pode até se tornar uma úlcera dolorosa, com sangramento no estômago, causando complicações mais sérias.
Quando a pessoa sofre com esta condição, torna-se imprescindível diminuir o consumo de alimentos que aumentam a acidez do estômago, como comidas picantes e gordurosas, bebidas alcóolicas, refrigerantes e café.
Portanto, além de identificar as principais causas e modificar seu estilo de vida, o cuidado com a alimentação, adotando uma dieta para gastrite, é parte fundamental para tratar ou evitar a condição, já que está comprovado que uma dieta indevida pode agravar os sintomas ou até mesmo impedir a cura da doença.
Como o sufixo –ite sugere, a gastrite é um termo utilizado para descrever uma série de condições que têm em comum a inflamação da mucosa (parede) do estômago. Quando ocorre de maneira súbita, a gastrite é chamada de aguda, e quando os sintomas se acumulam ao longo do tempo, é denominada gastrite crônica.
Como já mencionado acima, a gastrite pode ser causada por diversos fatores, entre eles a atuação da bactéria H.pylori. Uma pesquisa publicada em 2010 na revista científica Clinical Microbiology Reviews indica que a bactéria é uma das principais causas da gastrite e que pode estar presente em até 50% da população mundial.
Um em cada sete brasileiros está infectado com a H.pylori, bactéria que se aloja no estômago e que não é afetada pela acidez do órgão. A presença da bactéria no estômago não significa necessariamente o desenvolvimento da doença, mas quando combinada com maus hábitos alimentares e outras condições estressantes para o estômago, a H.pylori pode se proliferar e desencadear os sintomas da gastrite.
Ainda não se sabe com toda certeza se a bactéria causa a doença ou se ela se desenvolve quando a mucosa estomacal já está comprometida. De qualquer maneira, quando não tratada, a condição pode até evoluir para uma úlcera, que é uma ferida na parede do estômago.
Além de causar hemorragia, a úlcera também pode levar ao desenvolvimento de câncer de estômago.
A dieta pode ser tanto uma grande vilã como a principal aliada de quem sofre com gastrite. Manter o hábito de uma alimentação equilibrada fará com que o organismo se mantenha saudável e que o sistema imune esteja fortalecido para combater as inflamações estomacais. O consumo abusivo de álcool, por exemplo, pode irritar as paredes estomacais e causar gastrite.
E, tão importante quanto evitar uma série de alimentos e bebidas que podem agravar o quadro inflamatório, é incluir na dieta opções que podem acelerar o processo de cicatrização. Confira abaixo quais são esses alimentos para gastrite e como incluí-los no cardápio de sua dieta.
Estudos como o publicado no Clinical Microbiology Reviews indicam que alimentos probióticos podem ajudar a combater a H. Pylori e evitar a infecção no sistema digestivo que ela causa e que pode evoluir para uma gastrite ou para uma úlcera.
Caso você não saiba exatamente o que são alimentos probióticos, tratam-se de alimentos ou bebidas que contêm bactérias ou leveduras ativas, e alguns exemplos incluem o iogurte, o kombucha, e kefir, o chucrute e o kimchi.
Além dos probióticos, outros alimentos também contribuem para evitar ou tratar a gastrite, de acordo com o seu nível de acidez (pH).
Nesse sentido, os alimentos podem ser divididos em alcalinos e ácidos. A dieta para gastrite deve conter uma proporção de 4:1 destes alimentos, ou seja, cerca de 80% da sua dieta deve ser composta por alimentos alcalinos.
Exemplo de alimentos alcalinos: arroz integral, banana, cenoura, quinoa, abacate, pepino, ervilha, semente de abóbora, couve e salsa. E, ao contrário do que se pensa, o limão é também um alimento alcalinizante, podendo ser utilizado para diminuir a acidez estomacal e acalmar as dores da gastrite.
Já os alimentos acidificantes incluem o açúcar, queijos, carnes gordurosas, chá preto e café, chocolates, manteiga, bebidas alcóolicas, farinha de trigo branca, biscoitos, pizzas e frituras.
Acidificantes, os alimentos abaixo devem ser consumidos apenas de maneira esporádica levando em consideração a gravidade do quadro. Geralmente, são alimentos ricos em gordura que podem piorar a inflamação ou alimentos que irritam o estômago. Os exemplos incluem:
Veja com mais detalhes que alimentos são esses que você deve ficar longe para aliviar os sintomas da gastrite.
Estudos demonstraram que o consumo de alimentos ricos em gordura aumentam as inflamações da parede do estômago. Isso porque, além de ficarem mais tempo no estômago, as moléculas de gordura também exigem que o estômago produza mais ácido para sua digestão, situação que em longo prazo vai irritando a mucosa gástrica e aumenta a disposição à gastrite.
E não é só nas frituras que há excesso de gordura: embutidos, queijos amarelos, chocolates, chantilly, margarina e manteiga, fast food e doces também estão saturados de ácidos graxos.
O consumo de açúcar e farinha de trigo branca (refinada) também deve ser evitado na dieta para gastrite, já que também pode causar irritação no estômago.
Além disso, estes alimentos passam por um processamento que praticamente elimina todos seus benefícios, deixando-os somente com calorias “vazias”, ou seja, sem valor nutricional.
A dica, portanto, é optar pelo pão e macarrão integrais, e somente consumir bolo feito com farinha integral e muito pouco açúcar.
Aquela sensação de queimação no estômago que muitas pessoas sentem logo após comer pimenta se deve à irritação da parede estomacal causada pela capsaicina, o composto que confere o sabor picante à pimenta.
O mesmo sintoma ainda pode ocorrer com o consumo de mostarda (que contém vinagre) e molhos fortes, como o catchup, shoyu e tabasco, que contêm açúcar e gordura entre seus principais ingredientes.
Frutas cítricas, exceto o limão, e legumes ácidos como o tomate, por exemplo, também devem ser evitados em molhos e outras receitas, pois eles são pouco tolerados por pessoas com gastrite devido à irritação que eles provocam no estômago. Maçãs, abóboras e cenouras são alimentos que não têm toda essa acidez e que podem ser ingeridos normalmente em uma dieta para gastrite.
Presente no café, em alguns tipos de chá (como o preto e o verde) e em suplementos para queimar gordura, a cafeína irrita a mucosa do estômago e pode até lesioná-la em caso de consumo elevado e prolongado.
Algumas pessoas com gastrite conseguem tomar chá com cafeína ou um pouco de café, mas geralmente tratam-se de casos leves de gastrite. De forma geral, é melhor evitar o café e deixar para tomar bebidas descafeinadas e esquecer os refrigerantes e energéticos.
Suplementos de cafeína também não são indicados devido à alta concentração da substância que pode irritar o estômago. Assim, é melhor ficar longe de termogênicos, de pré-treinos e de qualquer outro suplemento que seja rico em cafeína.
O consumo excessivo de álcool é uma das principais causas da gastrite, e sua ingestão deve ser evitada por completo numa dieta para quem tem gastrite. O álcool irrita a mucosa, e o resultado é semelhante ao que ocorre quando colocamos álcool sobre um machucado (arde e dói ainda mais).
Mesmo pequenas doses podem conter alto teor alcoólico e irritar o seu estômago. Dessa forma, é melhor manter distância de bebidas alcoólicas como vinhos, cervejas, vodka e drinks.
O mesmo efeito irritante da cafeína também pode ser provocado por refrigerantes, já que o gás dessas bebidas leva a um aumento na secreção de gastrina, hormônio que por sua vez estimula a produção de ácido clorídrico.
Além disso, refrigerantes de cola e de guaraná podem conter quantidades altas de cafeína que são extremamente prejudiciais para quem tem gastrite. Esse tipo de bebida também é rica em açúcar, que não é um alimento indicado para tratar a sua gastrite.
A maioria das verduras, legumes e frutas é bem tolerada por quem tem gastrite, a exceção ficando por conta da cebola, alho e, para algumas pessoas, o tomate.
Frutas cítricas também podem causar mal-estar em quem sofre de gastrite e por isso é importante procurar vegetais pouco ácidos para a sua dieta. Optar por frutas e vegetais ricos em fibras também é bom para melhorar o processo digestivo geral.
Todos os derivados do leite contém cálcio, mineral que alcaliniza o estômago e obriga o órgão a produzir mais ácido gástrico para combater esse efeito.
Portanto, numa dieta para gastrite deve-se evitar ao máximo o consumo de leite, queijos e demais produtos lácteos.
Estes alimentos devem obrigatoriamente fazer parte de uma dieta para gastrite, pois podem ajudar a aliviar os sintomas e ainda trazem outros tantos benefícios à saúde. Confira:
A couve é um dos melhores alimentos para gastrite, pois possui ação cicatrizante e atua na regeneração da mucosa estomacal. A couve manteiga também contém carotenoides e bioflavonoides que combatem as inflamações e podem ajudar na prevenção do aparecimento do câncer.
A melhor maneira de consumir a couve para aliviar os sintomas da gastrite é na forma de sucos preparados somente com água ou água de coco. Dê preferência à couve orgânica, para evitar sobrecarregar o fígado e os demais órgãos digestivos com resíduos químicos.
Ao entrar em contato com água ou outro líquido no estômago, a chia se transforma em um gel, que protege a parede do estômago contra a ação do ácido clorídrico. A sementinha também tem ação anti-inflamatória e aumenta o bolo alimentar, ajudando no controle das porções consumidas durante as refeições. E quanto menor a quantidade de alimentos, menor será a secreção de ácidos pelo estômago.
Deixe uma colher de chia descansando em um copo de água mineral e tome após 30 minutos.
Produzida a partir da fruta cozida, a biomassa de banana verde possui um tipo de amido (conhecido como resistente) que não é digerido pelo organismo. Ao chegar ao intestino, esse amido constitui-se em um excelente probiótico, estimulando o crescimento de bactérias benéficas ao sistema digestivo.
A biomassa de banana verde ainda é fonte de magnésio, zinco, potássio e sódio, minerais que são alcalinizantes e atuam como neutralizadores dos ácidos estomacais.
A secreção produzida por abelhas jovens é rica em sais minerais, lipídios, aminoácidos e vitaminas, sendo indicada na dieta para gastrite graças ao seu potencial cicatrizante e antibactericida.
Uma única colher de café (cerca de 3 g) de geleia real, ainda em jejum, já é suficiente para obter todos os benefícios da substância.
Além da couve, o espinafre, brócolis, rúcula e outras folhas escuras também não podem faltar na dieta para gastrite, pois são boas fontes de ferro e das vitaminas A, C, K, nutrientes que atuam na cicatrização da gastrite e das úlceras estomacais.
Todos eles são ricos em fibras e, segundo um estudo publicado em 2014 na revista Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, alimentos fibrosos são importantes para o bom funcionamento intestinal e para auxiliar no tratamento de problemas digestivos.
Essas três ervas são aliadas da boa digestão e ajudam a acalmar o estômago, diminuindo a produção dos ácidos. Consuma-as na forma de chá, sempre sem açúcar e adoçante.
Tais ervas também tem propriedades anti-inflamatórias que ajudam no tratamento da gastrite, além de serem livres de cafeína, o que também é importante para evitar ainda mais irritação na parede estomacal.
Também conhecida como babosa, a Aloe Vera tem ação cicatrizante e pode ajudar a curar a irritação e até mesmo as feridas estomacais. É possível encontrar o suco já pronto em casas de produtos naturais.
As propriedades anti-inflamatórias da babosa são importantes para controlar a inflamação. Além do mais, a babosa melhora a digestão, remove toxinas e é repleta de vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes para o organismo.
O chá de espinheira santa tem propriedades anti-inflamatórias e pode ajudar a cicatrizar a mucosa do estômago. A planta medicinal também atua no combate à H.pylori e diminui a secreção de ácido gástrico.
Para prevenir ou para curar a gastrite, tome uma xícara de chá de espinheira santa 30 minutos antes das principais refeições.
A dieta para quem tem gastrite deve concentrar o máximo possível de alimentos cozidos e de fácil digestão. Na dúvida entre comer repolho cru ou cozido, por exemplo, prefira a segunda opção.
Ao preparar os alimentos da dieta para gastrite, adicione o mínimo possível de sal e óleo, ainda que seja azeite ou outro óleo “saudável”.
Confira mais informações importantes sobre os alimentos bons e ruins para gastrite nos vídeos a seguir.
Veja Todos Comentários
Muito obrigada, pelas dicas!!
Irei seguir direitinho!!?
Receita a dieta a gastrite
Me ajudou muito os esclarecimentos do vídeo.
Para quem tem h pylori, eu estou livre da gastrite comendo repolho cozido por apenas 3~4 minutos ou fazendo suco de repolho.
Pesquisem na internet o repolho era usado antes dos antibióticos para curar úlceras, fizeram testes e ele cura a úlcera em média em 7~8 dias, diferentemente dos remédios que levam em média 42 dias.
Excelente conteúdo e dicas Dra. Me ajudou bastante. Sofro desse mal
Obrigada doutora to tomando omeprazol ate conseguir a endoscopia para investigar o que é seu artigo ajudou bastante já que eu não tenho condições pra pagar uma nutricionista e pedir através do sus ia demorar uma eternidade
Gostei muito das dicas foi fundamental para mim melhorar minha alimentação.
Tirou todas as minhas dúvidas sobre massagem com pantalas
Melhor matéria que li sobre o assunto até hoje, parabéns!
Chá de espinheira santa com hortelã moído e bom para gastrite? Pois tomo o chá me da uma ardência.
Experimente sem o hortela acho que a combinaçao nao é boa
Tenho h pylore, e quase não sei o que se pode comer ou não. Tenho dúvidas de muitas coisas