O dedo em gatilho é tratado na medicina pelos seguintes termos: tendinite dos flexores do dedo, tenossinovite dos flexores do dedo e tenossinovite estenosante do flexor. Todos esses termos remetem à inflamação do tendão flexor, que faz com que o dedo afetado fique travado em uma posição dobrada.
O travamento do dedo ocorre quando o tendão flexor inflama e incha e, por isso, não consegue deslizar suavemente pela bainha, que é a camada que o envolve dentro do dedo. Ao forçar a extensão do dedo dobrado, se ouve um estalo semelhante ao som de um gatilho, por isso o nome popular “dedo em gatilho”.
Existem tratamentos convencionais para resolver o dedo em gatilho, que podem envolver medicação anti-inflamatória, imobilização e fisioterapia, e o tratamento cirúrgico.
Veja mais detalhes sobre o que é o dedo em gatilho, as causas, os sintomas e como são feitos o diagnóstico e o tratamento.
Dedo em gatilho: o que é?

O dedo em gatilho é o nome dado para uma condição inflamatória que afeta um tendão flexor do dedo e sua bainha.
Os tendões flexores dos dedos começam no antebraço, passam pelo punho e chegam na mão, onde executam o movimento de flexão dos dedos, aquele que fazemos quando dobramos os dedos para fechar a mão.
O dedo em gatilho pode afetar apenas uma das mãos (unilateral) ou as duas (bilateral). Também pode haver o acometimento de mais de um dedo ao mesmo tempo. Os dedos mais comumente afetados são o polegar e o anelar.
O movimento de flexão dos dedos só é possível porque os tendões flexores estão ligados a músculos no antebraço. Os tendões funcionam, então, como cordas que partem do antebraço e vão até as pontas dos dedos, fazendo a conexão entre os músculos e os ossos dos dedos para gerar movimento.
Nos dedos, os tendões são envolvidos por uma bainha que os mantém ancorados aos ossos, permitindo um deslizamento suave e livre de atritos.
O dedo em gatilho ocorre pelo impedimento do deslizamento do tendão flexor, que faz com que o dedo fique preso na flexão (engatilhado), sem poder ser estendido.
Inicialmente, pode haver apenas uma sensação de dor ao estender o dedo, com um leve ressalto, como se fosse uma mola. Mas, com a progressão da doença, o dedo pode ficar completamente engatilhado, sem conseguir voltar à posição natural.
O problema ocorre por causa de um espessamento da bainha na região da mão onde começa a base do dedo, ou seja, no local onde o tendão flexor entra em sua bainha.
Por causa desse espessamento na bainha, o tendão flexor fica aprisionado em sua base, gerando dor, recuo e engatilhamento do dedo. A progressão do problema, que leva ao impedimento total do deslizamento do tendão, ocorre pela formação de um nódulo no próprio tendão, devido à compressão que ele sofre com o espessamento da bainha.
Causas do dedo em gatilho
É desconhecida uma causa específica para o dedo em gatilho, mas há alguns fatores de risco associados ao desenvolvimento do problema:
- Traumatismos, por exemplo, contusões, entorses, luxações e esmagamento.
- Microtraumatismos, são pequenas lesões em estruturas como fibras musculares, tendões e ossos originadas de esforços repetitivos.
- Ter diabetes descompensada, gota ou artrite reumatoide, que são problemas de saúde que podem afetar as articulações, ao promoverem um processo inflamatório.
- Complicação de uma cirurgia de síndrome do túnel do carpo.
Além desses fatores, a patologia afeta mais frequentemente mulheres do que homens, acima dos 30 anos de idade.
Existe também o dedo em gatilho congênito, que é uma forma infantil de flexão em mola do dedo polegar. Geralmente, o problema é identificado quando a criança tem entre 1 e 4 anos, idade em que os pais ou responsáveis percebem que o dedo polegar da criança fica sempre flexionado. Nesses casos, o dedo em gatilho é normalmente bilateral, indolor e tratado com cirurgia.
Sintomas do dedo em gatilho
A dor na base do dedo, que piora com o movimento, é o principal sintoma do dedo em gatilho, no início de seu desenvolvimento. Neste estágio, é possível perceber um espessamento na base do dedo, quando ele é apalpado.
Com o tempo, o dedo afetado faz um recuo doloroso quando a pessoa tenta estendê-lo. Ao apalpar a base do dedo, é possível identificar um nódulo e sentir uma crepitação (estalo), ao movimentar o dedo, que também é audível e doloroso.
Com o agravamento do problema, fica impossível de se estender o dedo flexionado, sem a ajuda da outra mão.
Normalmente, os sintomas são mais intensos pela manhã, devido à inatividade do dedo e inchaço durante à noite.
Diagnóstico do dedo em gatilho
O diagnóstico do dedo em gatilho é clínico e, na maioria dos casos, não requer exames complementares.
Quando há dúvidas ou se quer investigar alternativas diagnósticas, são usados exames de imagem para partes moles, como ecografia, ultrassonografia e ressonância magnética.
Tratamentos do dedo em gatilho
Felizmente, o dedo em gatilho é tratável, com possibilidade de cura completa e eliminação total dos sintomas.
O objetivo do tratamento é possibilitar o deslizamento do tendão pela bainha, eliminando o obstáculo que está impedindo essa movimentação.
Nas fases iniciais, o tratamento é feito com órteses, talas e anti-inflamatórios não esteroidais. As órteses ou as talas são utilizadas para manter o dedo esticado e aliviar a inflamação.
É importante que, ao longo de todo o tratamento, se evite as atividades que podem ter levado à inflamação do tendão e da bainha, para que as estruturas se recuperem e não haja a piora do quadro. Procure identificar quais foram as atividades manuais que levaram a esse problema e, se possível, interrompa-as por um tempo, ou reduza o tempo dessa atividade.
Se você receber o encaminhamento para sessões de fisioterapia, fará alguns exercícios para melhorar a mobilidade do dedo, além de aprender a como ajustar as atividades manuais de forma a não prejudicar os seus tendões.
Pela manhã, quando a rigidez e a dor tendem a ser mais intensas, você pode fazer compressas quentes, para aliviar os sintomas. Apenas 20 minutos de aplicação de compressa quente são suficientes para melhorar a mobilidade do dedo.
Se não houver melhora com a imobilização e medicação por via oral, se faz a injeção de corticoide na zona próxima ao tendão e à sua bainha. Este tratamento tende a ser mais eficiente no alívio da dor do que a medicação por via oral, porém não pode ser utilizado muitas vezes, pelo risco de enfraquecimento e ruptura do tendão.
Quando as abordagens terapêuticas convencionais não são eficientes na resolução do problema, o dedo em gatilho é tratado com cirurgia.
Na cirurgia, é feita uma pequena incisão na pele, para liberar a bainha onde ela se encontra mais espessa. Desse modo, o tendão consegue deslizar livremente, normalizando a movimentação do dedo.
Logo após a cirurgia, já é possível movimentar o dedo, mas os pontos só são retirados após 10 a 12 dias do procedimento.
Em alguns casos, a mobilidade completa do dedo só volta após algumas sessões de fisioterapia, que ajudam a eliminar a rigidez da articulação.
Fontes e referências adicionais
- Distúrbios ósteo-musculares relacionados ao trabalho, Revista de Medicina, 2001; 80(spe2): 422-442.
- Tenosinovite estenosante dos flexores – ou dedo em gatilho, Einstein, 2008; 6(1):, p. S141-S145.
- Tratamento do dedo em gatilho pela injeção local de corticosteróide, Revista Brasileira de Ortopedia; 1997; 32(12): 971-974.
- Frequência do aparecimento de dedo em gatilho no pós-operatório da síndrome do túnel do carpo em duas técnicas cirúrgicas: Aberta e endoscópica, Revista Brasileira de Ortopedia, 2021; 56(3): 346-350.
Fontes e referências adicionais
- Distúrbios ósteo-musculares relacionados ao trabalho, Revista de Medicina, 2001; 80(spe2): 422-442.
- Tenosinovite estenosante dos flexores – ou dedo em gatilho, Einstein, 2008; 6(1):, p. S141-S145.
- Tratamento do dedo em gatilho pela injeção local de corticosteróide, Revista Brasileira de Ortopedia; 1997; 32(12): 971-974.
- Frequência do aparecimento de dedo em gatilho no pós-operatório da síndrome do túnel do carpo em duas técnicas cirúrgicas: Aberta e endoscópica, Revista Brasileira de Ortopedia, 2021; 56(3): 346-350.